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Todas as Coisas Cooperam para o Nosso Bem

Romanos 8:28


INTRODUÇÃO

Paulo não faz qualquer exceção a esse princípio. Ele diz "todas as coisas"; isso inclui todas as coisas boas e todas as coisas ruins – "cooperam para o bem".

Ninguém naturalmente gosta da aflição. Aflições podem ser muito pesadas e difíceis de suportar. E mais, caro irmão, não é certo que a aflição serve como um remédio para você nas mãos do seu grande Médico, Jesus Cristo? Vejamos resumidamente nove maneiras pelas quais nas mãos dEle as suas aflições cooperam para o seu bem estar espiritual e eterna saúde.

1. HUMILDADE

O Senhor, através da aflição mostra quem você é e o que existe dentro de você: Veja o que diz Dt. 8:15,16: "…que te conduziu por aquele grande e terrível deserto de serpentes abrasadoras, de escorpiões, e de secura, em que não havia água… que no deserto te sustentou com maná…, para te humilhar, e para te provar, e afinal te fazer bem"?

A aflição não só faz o verdadeiro crente se humilhar diante de Deus, mas o conserva humilde. A aflição faz secar o reservatório do combustível que alimenta o seu orgulho. Um crente aflito é semelhante a uma árvore carregada de frutos. Se Deus utilizar a aflição para humilhá-lo perante Ele, não estará a sua aflição cooperando para o bem?

2. REVELAÇÃO

Na aflição é como se a alma do crente fosse esquadrinhada com lanternas expondo os pecados ocultos e notórios. Quando a aflição é santificada pelo Espírito Santo, o pecado é arrancado do seu esconderijo dentro do coração e trazido à luz dos santos e perscrutadores olhos de Deus.

A aflição arranca a folha de figueira que cobre o filho de Deus. "Os pecados do povo de Deus são como ninhos", escreveu o puritano William Bridge, "enquanto as folhas estiverem na árvore você não pode vê-los, mas no inverno da aflição quando todas as folhas caem, os ninhos aparecem claramente". Quando a aflição é santificada, o pecado se torna hediondo e odioso. O pecado se torna excessivamente pecaminoso em sua verdadeira natureza do que por suas consequências.

3. CRESCIMENTO

O Espírito Santo usa a aflição como um remédio para acabar com a enfermidade mortal do pecado nos filhos de Deus, fazendo-os produzir frutos saudáveis e piedosos. Quando o pecado faz os crentes se desviar do Senhor Jesus, como um Bom Pastor, usa a sua vara da aflição para aprumá-lo novamente. A aflição trata do pecado. "Antes de ser afligido andava errado", confessa Davi, "mas agora guardo a tua palavra" (Sl. 119.67).

Para um filho de Deus, ser afligido é um bem como é a poda para a jovem árvore, pois a pressão da aflição não só remove o terrível mau cheiro do pecado, mas também revela as fragrâncias e os frutos da graça divina.

Você sabe que em alguns países certas árvores crescem, mas não dão fruto, por não haver inverno ali? O cristão precisa de invernos de aflições para experimentar o florescer das primaveras, o crescimento do verão e a colheita de outono.

A aflição colhe frutos preciosos. Ela garimpa, funde, refina e forja o crente até que o divino Ourives possa ver o seu reflexo na obra das suas próprias mãos. Assim o cristão experimenta como Jó: "Se Ele me provasse, sairia eu como o ouro" (Jó 23.10).

4. COMUNHÃO

O Senhor se utiliza da aflição como um meio de fazer o seu povo buscá-lo, para trazê-lo de volta à comunhão com Ele, e mantê-lo junto ao seu lado. Como na tempestade as ovelhas buscam estar junto do seu pastor, assim diz o Senhor de Israel, "estando eles angustiados, cedo me buscarão" (Os 5.15).

As tempestades e o granizo da aflição levam as ovelhas para mais perto do seu pastor. Todas as pedras que atingiram Estevão apenas o empurraram para mais perto da pedra angular, Jesus Cristo, e abriram ainda mais o céu para a sua alma. A aflição levou a mulher cananeia ao Filho de Davi; conduziu o ladrão ao seu Salvador. Não foi a coroa de Manasses, mas suas cadeias, que o fizeram reconhecer que o"Senhor era Deus". Mesmo o imã da rica misericórdia de Deus não traz e mantém tão perto o rebanho do seu Grande Pastor como as cordas da aflição.

5. IDENTIFICAÇÃO

O Senhor usa as aflições para moldar o seu rebanho à semelhança de Cristo fazendo-o participante dos seus sofrimentos e da sua imagem. Assim escreve o autor de Hebreus: "…a fim de sermos participantes da sua santidade" (Hb 12.10). Deus tinha apenas um Filho sem pecado, mas nenhum sem aflição.

Pela sua vara de aflição rumo à glória eles se tornam seguidores do Cordeiro de Deus que caminha adiante do seu rebanho. Todo caminho de aflição que eles encontram já foi trilhado, conquistado e santificado pelo seu Pastor cujo sangue substitutivo, desde a sua circuncisão até à cruz, é a sua garantia segura de que nenhuma aflição ou provação será capaz de separá-los do amor de Cristo Jesus (Rm 8.39). Os seus sofrimentos os conduzem ao sofrimento substitutivo de Cristo, o qual por sua vez, os faz exclamar "o seu jugo é suave e o seu fardo é leve" (Mt 11.30). Caro irmão, não é nos tempos de sofrimento que normalmente você tem mais comunhão com Jesus Cristo em seus sofrimentos – numa vida inteira que, como diz Calvino, não foi outra coisa senão uma série de sofrimentos? Pode então você reclamar da leve cruz que você tem de suportar sendo um pecador culpado, quando você vê a pesada cruz que Cristo teve de suportar sendo inocente?

6. ALEGRIA

As aflições espirituais cooperam para o nosso bem porque o Senhor as contrabalança com consolo e alegria espirituais. "A vossa tristeza", disse Jesus aos discípulos, "se converterá em alegria" (Jo 16.20). Ele leva o seu povo ao deserto para lhes falar ao coração (Os 2.14). Onde quer que existam os sofrimentos de Deus, haverá consolação de Deus (2 Co 1.4,5). A vara do pastor possui mel em sua ponta. Todo Paulo tem sua canção para cantar na prisão. O doce seguirá o amargo.

A alegria vem pela manhã. Na aflição, as ovelhas de Deus às vezes experimentam doces êxtases de divina alegria, que as levam como que, bem aos limites das fronteiras da Canaã celestial. Em tais momentos elas podem confessar com Elifaz, o temanita, "Bem-aventurado é o homem a quem Deus disciplina; não desprezes, pois, a disciplina do Todo-poderoso. Porque ele faz a ferida e ele mesmo a ata; ele fere, e as suas mãos curam. De seis angústias te livrará, e na sétima o mal te não tocará" (Jó 5.17-19).

7. FÉ

A aflição também coopera para o bem fazendo os filhos de Deus andarem por fé e não por vista. Se fosse permitido ao crente sempre desfrutar dos prazeres e alegrias deste mundo, eles passariam a amar esta vida e a depender das suas provisões espirituais ao invés de depender daquele que tudo provê. Por isso, juntamente com as suas doces iguarias, o Senhor serve um pouco de molho para ajudar na digestão, para que eles vivam, não por seus sentidos, mas pela fé.

8. ESPERANÇA

Finalmente, a aflição é proveitosa para preparar o povo de Deus para a sua herança celestial. A aflição eleva as suas almas até ao céu, para buscarem "a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto edificador" (Hb 11.10). A aflição pavimenta o seu caminho para a glória. "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação" (2 Co 4.17).

"Aquele que corre para receber a coroa", escreveu John Trapp, "não se incomodará muito com um dia chuvoso".

CONCLUSÃO

Filhos de Deus, isso não é suficiente para convencê-los de que a aflição é para o seu bem – que "nada" de bom ou necessário "faltará" a vocês, tanto temporal como espiritualmente? Ainda que o vento da aflição seja contrário à sua carne, Deus se agrada em usá-lo para conduzir vocês ao céu. As suas aflições são sob medida para os ajustar ao caminho para a glória.

"Em tudo (até mesmo nas aflições) dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco" (1 Ts. 5.18).

|  Autor: Pr Josias Moura  |  Divulgação: estudosgospel.com.br |