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Estudo Bíblico Tocar em Jesus


Jesus foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava. Ora, certa mulher, que havia doze anos padecia de uma hemorragia, e que tinha sofrido bastante às mãos de muitos médicos, e despendido tudo quanto possuía sem nada aproveitar, antes indo a pior, tendo ouvido falar a respeito de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe o manto; porque dizia: Se tão-somente tocar-lhe as vestes, ficaria curada. E imediatamente cessou a sua hemorragia; e sentiu no corpo estar já curada do seu mal ... Perguntou Jesus: Quem é que me tocou? Como todos negassem, disse-lhe Pedro: Mestre, as multidões te apertam e te oprimem. Mas disse Jesus: Alguém me tocou; pois percebi que de mim saiu poder. Então, vendo a mulher que não passara despercebida, aproximou-se tremendo e, prostrando-se diante dele, declarou-lhe perante todo o povo a causa por que lhe havia tocado, e como fora imediatamente curada. Disse-lhe ele: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz” (Marcos 5:24-29; Lucas 8:45-48)

Essa passagem conta sobre uma mulher com um fluxo ininterrupto de sangue de doze anos. Uma judia afligida por uma doença incurável que havia consumido todo o seu patrimônio.

Maior do que o sofrimento físico era o decorrente da desonra que sobre ela pairava, pois segundo a Lei, o homem ou mulher acometido de fluxo era considerado imundo, e tudo o que ela tocava imundo ficava, quer fosse objeto ou pessoa, pois pelo período que durasse a sua hemorragia, era o período da sua imundícia, como está escrito:

“Mas a mulher, quando tiver fluxo, e o fluxo na sua carne for sangue, ficará na sua impureza por sete dias, e qualquer que nela tocar será imundo até a tarde... Se uma mulher tiver um fluxo de sangue por muitos dias fora do tempo da sua impureza, ou quando tiver fluxo de sangue por mais tempo do que a sua impureza, por todos os dias do fluxo da sua imundícia será como nos dias da sua impureza; imunda será. Toda cama sobre que ela se deitar durante todos os dias do seu fluxo ser-lhe-á como a cama da sua impureza; e toda coisa sobre que se sentar será imunda, conforme a imundícia da sua impureza.E qualquer que tocar nessas coisas será imundo; portanto lavará as suas vestes, e se banhará em água, e será imundo até a tarde. Quando ela ficar limpa do seu fluxo, contará para si sete dias, e depois será limpa. Ao oitavo dia tomará para si duas rolas, ou dois pombinhos, e os trará ao sacerdote, à porta da tenda da revelação.”(Levítico 15:19,25-29)

Aos olhos do judaísmo, segundo a Lei, o sagrado não santifica o comum, mas o imundo sempre profana o sagrado (Ageu 2: 12,13). A idéia que se tinha e que ainda se tem é que nunca poderemos nos achegar a Deus, porque Deus não se aproxima de pecadores.

Portanto, aquela mulher era uma imunda! E por onde ela andasse, carregava a sua imundícia consigo, sujando tudo ao seu redor.

Ora, se um judeu comum jamais poderia tocar ou ser tocado por uma mulher desse tipo sob pena de ficar imundo, como poderia ela tocar em Jesus, o Messias?

Quantas vezes nós não somos paralisados por esse tipo de pensamento?

Mas aquela mulher, ao contrário de nós, não olhou para a sua situação e seu sofrimento, mas olhou para o Senhor com os olhos da fé, e em esperança contra a desesperança cria com absoluta convicção de que “se tão somente tocasse-lhe as vestes, ficaria curada”, pois Deus não pode ser contaminado pelo mal, mas o oposto, o Todo-Poderoso é tão Santo, que tudo o que Nele encosta, ainda que seja a coisa mais imunda, é purificada pelo seu poder!

É isso a fé! É a plena certeza do cumprimento das promessas de Deus. É paradoxo e paixão que permite que Dele nos aproximemos. Se pela lógica o que aquela mulher estava cometendo era um sacrilégio, pela fé era um ato de amor capaz de mover o sobrenatural, como diz em Hebreus 11:6, “ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.”

E foi nisso. Tão e somente nisso que aquela mulher imunda, como muitas vezes as pessoas vão afirmar sobre nós, assim como falam das prostitutas, travestis e bandidos, creu de todo o seu coração nessa promessa. Ela nunca duvidou, pois tinha a certeza que Deus é galardoador dos que o buscam.

Soma-se a isso que Jesus estava no meio de uma multidão. Centenas de pessoas o haviam e estavam o tocando, mas quando aquela mulher, movida de toda a fé lhe tocou, Ele se moveu, parando e perguntando quem o havia tocado.

Os discípulos, como nós, em sua visão incrédula, replicaram: - “Mestre, a multidão te toca!” Como se fosse impossível saber.

Mas Jesus revela que o toque que sofreu foi diferente, foi um toque de fé, de tal sorte que dele “saiu virtude”, “saiu poder”.

E aquela mulher com medo – já que há doze anos fora subjugada ao rótulo de imunda e, afinal de contas, ousava tocar e profanar o Messias –, apavorada com a possível reação da multidão, se identifica, declara o motivo que o tocara e como fora curada.

A resposta de Jesus é simples: – “a tua fé te salvou”.

Quantas vezes o sofrimento nos atormenta, o vazio nos devasta, a solidão nos condena, o pânico e a angústia se fazem presentes, e sem saída, perdemos toda e qualquer esperança num futuro, sonhamos com a morte, flertamos com o suicídio, fazemos das trevas a nossa morada, aguardando apenas o fim?

O homem não tem a resposta para o sofrimento, mas Deus tem a saída. Para tanto, basta tocar em Jesus!

Somente através da fé podemos tocar no Mestre. Quando eu e você verdadeiramente tocarmos em Jesus, o milagre iremos ver, porque Dele sairá virtude.

“Ao que lhe disse Jesus: Se podes! -tudo é possível ao que crê”.(Marcos 9:23)

Autor: Juliano Henrique Delphino