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Fidelidade X Infidelidade


"Estás ciente de que todos os da Ásia me abandonaram; dentre eles cito Fígelo e Hermógenes. Conceda o Senhor misericórdia à casa de Onesíforo, porque, muitas vezes, me deu ânimo e nunca se envergonhou das minhas algemas. antes, tendo ele chegado a Roma, me procurou solicitamente até me encontrar. O Senhor lhe conceda, naquele Dia, achar misericórdia da parte do Senhor. E tu sabes, melhor do que eu, quantos serviços me prestou ele em Éfeso."  2 Timóteo 1.15-18

 

Introdução

Até onde você está disposto a ir com Cristo? Até quando você será fiel a ele?

O caminhar com Cristo nos leva a lugares diversos, a situações diversas. Pensemos, por exemplo, na caminhada dos discípulos com Jesus. No início, tudo era agradável; Jesus transformou a água em vinho, multiplicou pães e peixes, curou enfermos, ressuscitou mortos, libertou os oprimidos, etc. Que maravilha! Como é bom andar com Jesus! Mas o tempo foi passando e as circunstâncias foram ficando difíceis. Muitas pessoas foram se levantando contra Jesus e contra os seus discípulos. Fariseus, saduceus, escribas, sacerdotes, líderes políticos, muitos passaram a perseguir Jesus, e tudo isso culminou com a sua crucificação.

Andar com Jesus é muito bom, pois esse é o caminho da salvação e da vida eterna, mas no meio dessa estrada existe uma cruz. Os discípulos não esperavam por isso, não contavam com esse lado da vida cristã. Por isso, quando Jesus foi preso, todos os discípulos fugiram.

Ser fiel a Deus no meio das bênçãos é muito fácil. Ele espera que sejamos fiéis também no momento da dificuldade.

Explicação

Pois não há motivos para que tenhamos vergonha de sermos cristãos. Pelo contrário,  nós devemos reter e viver o evangelho, como Paulo tratou nos versículos anteriores. 

E para reafirmar tal realidade Paulo cita dois exemplos, um positivo e o outro negativo.

Porque há muitos que falham, que desistem, que nos momentos críticos são infiéis. Isso para nós é um alerta. Assim como há aqueles que permanecem fiéis literalmente até a morte. Isso para nós é uma motivação e encorajamento.

Frase de transição: Com qual exemplo nossa vida se identifica?

1. EXEMPLO DE INFIDELIDADE 

"Estás ciente de que todos os da Ásia me abandonaram; dentre eles cito Fígelo e Hermógenes."  2 Timóteo 1.15 O fato de Timóteo ser exortado nos versículos anteriores para que não se envergonhasse do evangelho e nem de Paulo, que estava preso, tem ligação com uma realidade que já estava acontecendo: muitos estavam se envergonhando e abandonando a Paulo.

Quando o apóstolo fala que TODOS o abandonaram ele está usando de uma hipérbole, de um exagero pra enfatizar a extensão da deslealdade. E a extensão era numeral e geográfica.  A maioria das pessoas na região que Timóteo morava, a província da Ásia (confira no mapa de sua Bíblia), na qual Éfeso era a principal cidade, tinham abandonado Paulo. Tinham se esquecido dele. 

E ao falar dessas pessoas o apóstolo cita duas em especial: Fígelo e Hermógenes. Destes dois nós não temos qualquer referência no Novo Testamento, mas Timóteo sabia quem eles eram. Para serem citados aqui, provavelmente eram cristãos muitos importantes que decepcionaram grandemente a Paulo quando o desampararam.

Como eles abandonaram Paulo? Não sabemos exatamente como se deu esse afastamento. Pode ser que Paulo tenha pedido e esperava que eles o ajudassem no tribunal, que testemunhassem a favor dele. Seja como for, se esperava muito de Fígelo e Hermógenes, mas eles não corresponderam. Eles não se atreveram a se aproximar de Paulo por medo de comprometer a sua segurança.

Perseguição

Mas por que estes dois tiveram tanto medo? E por que muitos outros também abandonaram a Paulo?

Porque aqueles dias eram dias difíceis para os cristãos.

E aí cabe outra pergunta: o que os cristãos fizeram de errado para serem tão perseguidos? Afinal os cristãos pregavam o amor ao próximo, a fraternidade, a paz. Por que foram cruelmente perseguidos? E por que os judeus não eram perseguidos dessa maneira?

Império Romano

A resposta é que o Império Romano apenas tolerava a religião dos povos conquistados, enquanto ela não tentasse fazer novos seguidores. Por isso que o Judaísmo era considerado uma religião permitida, porque o judeu quase não tinha contato com o gentio , e isso se transformava em uma barreira para a evangelização. Os judeus não eram de evangelizar e por isso o Império não os perseguia.

Mas os cristãos eram diferentes. Eles atenderam e aplicaram as ordens de Jesus para evangelizar. Eles não mediam esforços e empregavam todos os recursos possíveis a fim de fazerem novos convertidos.

Além disso, o cristianismo sempre teve uma tendência para se tornar universal e viver independente do Estado, por isso foi considerado pelas autoridades romanas, para quem o Estado era tudo, como algo perigoso ao Império.
Para os Romanos a sua nação era sua própria religião. Os seus líderes eram seus próprios deuses. Muitos deles tinham estátuas em templos. Portanto, pregar o Evangelho do Reino de Deus era uma ofensa política aos Romanos na sua arrogância nacional.

Além do mais, os cristãos também prejudicavam os interesses de outras classes como os sacerdotes, os vendedores de animais para o sacrifício, os fabricantes e os vendedores de ídolos (uma pessoa que se convertia para o cristianismo não fazia mais sacrifícios ou adorava a ídolos, gerando prejuízo econômico).

Os cristãos tiveram novas posturas quanto a guerra, as diversões públicas, a escravatura, o direito de propriedade, a filantropia, a família, a literatura pagã, a cultura e o estado.  De forma que essa determinação dos cristãos de se separarem do mundo, levou-os a serem considerados como ateus – inimigos dos deuses e da humanidade, e era esse o maior crime da época.

Pela perseguição muitos cristãos se reuniam à noite escondidos e o amor e a comunhão íntima que tinham entre si abria espaço para que fossem acusados de libertinagem. Tudo quanto era mau era atribuído aos cristãos. A fome, os terremotos, os conflitos militares, as revoluções, os incêndios – esses desastres sempre se voltavam contra os cristãos, pois segundo o Império eles eram inimigos dos deuses, só eles poderiam ter provocado sua ira.

Por esses motivos os cristãos eram cruelmente perseguidos. E com medo das conseqüências é que muitos abandonaram a Paulo. Porque buscar e visitar um cristão condenado à morte era perigoso e poderia também levar à morte.

E ainda que Paulo confiasse em Deus e não nas pessoas, isso foi um golpe forte para ele. Por isso Paulo lembra estes exemplos a Timóteo, pois não queria que o mesmo acontecesse com ele.

Aplicação

Isso nos ensina que a prova de que alguém é fiel se dá em tempos difíceis e não necessariamente em tempos fáceis. (TRANSPARÊNCIA)

• O marido e esposa mostram a sua real fidelidade um ao outro não apenas quando estão juntos, mas especialmente quando estão sozinhos em lugares diferentes com pessoas do sexo oposto.

• Um amigo se mostra fiel não quando está ao seu lado apenas, mas especialmente quando ele está longe e o que ele fala de você. É isso que vai provar sua fidelidade.

A mesma realidade pode ser aplicada na nossa vida com Deus.

"E sereis odiados de todos por causa do meu nome, mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo."  Mateus 10:22

• Ser fiel a Deus aqui na igreja é mais fácil, pois estamos todos entre irmãos e temos a mesma fé. Mas o que prova realmente a nossa fidelidade é o que acontece fora da igreja.
Quando há perseguição, discriminação ou zombaria, no ambiente do trabalho, na escola, entre grupos de amigos – é aí que provamos se somos crentes fiéis ou omissos. Se assumirmos nossas posturas ou se voltamos às costas para aquilo que cremos.

É bom que nos lembremos que Jesus quer de nós compromisso. Quer de nós fidelidade, porque não há “meio-fiel”, “mais-ou-menos-compromissado”.

"E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido. Por causa disso muitos dos seus discípulos voltaram para trás e não andaram mais com ele. Perguntou então Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna."  João 6:65-68

2. EXEMPLO DE FIDELIDADE – 16 a 18

"Conceda o Senhor misericórdia à casa de Onesíforo, porque, muitas vezes, me deu ânimo e nunca se envergonhou das minhas algemas. antes, tendo ele chegado a Roma, me procurou solicitamente até me encontrar. O Senhor lhe conceda, naquele Dia, achar misericórdia da parte do Senhor. E tu sabes, melhor do que eu, quantos serviços me prestou ele em Éfeso."  2 Timóteo 1.16-18

Felizmente, um cristão não abandonou a Paulo. Seu nome era Onesíforo, um cristão de Éfeso. Mesmo quando muitos deixaram de atender a Paulo na prisão, Onesíforo se esforçou sozinho, além do que se esperava.  Ele fez justiça ao seu nome, que significava “portador de vantagens”.

Veja algumas qualidades que encontramos em Onesíforo:

a) Era líder de uma família abençoadora

Veja que não só ele, como também sua casa, sua família dava ânimo a Paulo. Era pelo que tudo indica uma família tão espiritual, tão repleta do amor de Deus, que animava o apóstolo quando ele se encontrava preso ou em dificuldades. Era uma família que encorajava Paulo e orava por ele. A família de Onesíforo era uma família fiel, uma família que era exemplo de fidelidade.

Famílias como a de Onesíforo precisam ser encontradas na igreja! E não famílias que querem mandar, disputar poder, fofocar.

Esse é o chamado para as nossas famílias. E a iniciativa é do marido cristão, como sacerdote do lar, guiar sua familiar para que ela seja bênção para a vida de outros crentes.

b) Possuía lealdade, coragem e dedicação

Enquanto muitos abandonaram Paulo, Onesíforo não teve medo de ficar junto ao Paulo esse tempo todo, inclusive na prisão.

Tanto que, quando chegou a Roma, imediatamente se pôs a buscar a Paulo, pois não sabia em que prisão Paulo estava encarcerado.
Isso quer dizer que Onesíforo teve que perguntar a muitas pessoas informações precisas de como chegar até Paulo.
Foi uma busca dedicada, detalhada e difícil, pois provavelmente chamou atenção das autoridades. Ele demonstrou nessa busca por Paulo ânimo, atrevimento e fé.

Ele não se importou com o risco real que corria ao visitar Paulo. E de fato ele foi até o fim. A tradição histórica afirma que Onesíforo também foi martirizado, morto amarrado a dois cavalos que o rasgaram pelo meio.

c) Era constante no exercício da bondade

O tipo de bondade que Onesíforo e sua família ofereceram a Paulo não era casual ou esporádica. Não aconteceu apenas uma vez ou duas, mas muitas vezes!

E como aquilo renovou a Paulo! As prováveis cartas que ele recebia daquele homem com sua família, os seus conselhos, confortos, a visita na cadeia – Onesíforo não tinha vergonha de ser amigo de alguém condenado à morte. Ele e sua família foram amáveis de maneira muitas vezes, de maneira constante.

Não apenas quando Paulo esteve em Éfeso entre os seus próprios amigos, mas quando também em Roma Onesíforo procurou a Paulo até achá-lo.

A oração de Paulo

A um amigo, a uma família abençoadora como esta Paulo agradece imensamente com as suas orações. E nos dois versículos ele pede misericórdia.

• Misericórdia pela família, pois Onesíforo ainda estava em Roma, longe  dos seus. 

• Misericórdia por Onesíforo, para o Dia do Julgamento. Sabemos que o Dia do Julgamento será um dia terrível para os que não são crentes e de vitória para os crentes. Mas os cristãos só passarão ilesos pela misericórdia de Deus em Cristo Jesus. Jesus satisfaz a justiça de Deus. É por meio de Jesus que obtemos misericórdia e nos achegamos trono da graça de Deus. Isso nos ensina que se alguém quer ter misericórdia naquele último dia, deve buscá-la HOJE em Jesus.

"Conservai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna."  Judas 1:21

APLICAÇÃO

Precisamos de crentes e pastores como Onesíforo. Precisamos de famílias como a de Onesíforo. Pessoas que não tenham medo de ser fiéis.

Porque há muitos “Paulos” hoje no nosso mundo sofrendo perseguições, sendo assassinados e oprimidos por pregarem o evangelho.

• MOSTRAR TRANSPARÊNICA ANEXA – A IGREJA PERSEGUIDA
Há muitos na situação de Paulo. E nós aqui, temos tomado as mesmas atitudes que Onesíforo. Temos pelo menos orado pelos cristãos perseguidos?

CONCLUSÃO

Para pensar
• Tenho sido fiel aos meus irmãos na fé, pastores e líderes? Tenho apoiado, encorajado e orado por eles?
 
• Tenho compreendido a importância de uma simples ajuda ao próximo? Quando não ajudamos as pessoas, as marcas ficarão. Quando a omissão nos cala, a solidão do próximo grita.

• Tenho esperado demais a iniciativa de outros para fazer o bem? Uma pessoa boa procura oportunidades para fazer o bem, e não irá se afastar de qualquer oferta.

Autor: Rev. Andrei de Almeida Barros