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A Samaritana e o Bramido da Corça


"Assim como a corça brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti ó Deus”. Sl 42:1.

A corça é um animal de pequena estatura, arisco e de costume migratório. E uma característica interessante: a corça não suporta o confinamento. É um animal dotado de olfato privilegiado que lhe possibilita sentir cheiro de água a quilômetros de distância. É capaz ainda de perceber, metros abaixo da superfície, a existência de um lençol de água.

Em regiões desérticas da África e do Oriente Médio, empresas construíram quilômetros de aquedutos sob a superfície terrestre. E as corças sedentas, ao pressentirem a água jorrando pelo interior dos dutos, correm por cima das tubulações na tentativa de encontrarem a nascente, ou então um possível local por onde essas águas pudessem ser alcançadas. A sede de Davi, pelo Senhor era comparada ao anseio de uma corça pelas águas.

Como é que a corça suspira e anseia pelas águas? É com desespero. Gritando, correndo, buscando, farejando. Com sede. Com olfato privilegiado para localizar a fonte certa. Continuamente, todos os dias. Não se permitindo acomodar e fugindo do confinamento. A corça pode ser encontrada facilmente junto às margens dos rios, é um ambiente seguro para fugir de seus predadores. A água é para a corça: vida, proteção.

 "Bem aventurado os que têm fome  e sede de justiça, porque eles serão fartos" Mt 5:6.

A visão de justiça que o homem tem, é rasa. Não vai além do que os olhos podem ver. O símbolo do Direito, que rege as condutas éticas da nossa sociedade, se apresenta com uma tarja sobre os olhos e uma balança nas mãos. A interpretação é de que: a "justiça é cega, por não se permitir privilegiar pobre ou rico, mas todos, de igual modo. O mesmo peso e medida para todos os homem". Mas, essa justiça terrena, é falha. Apesar de seus esforços. O mundo vive em constante clamor e pavor, porque os tribunais "manquejam".

Dessa forma, concluímos que ter sede e fome da justiça, relatada no código processual terreno, é como viver implorando por alimento, com um prato vazio nas mãos e um copo fendido, que não sustenta água. Nenhum ser humano consegue alcançar a plenitude de seus direitos. Felicidade é algo que as constituições dos países não garantem.

Mas, o que tem fome e sede de Justiça, será farto. Essa Justiça é com "J" maiúsculo porque representa o Reino de Deus. Aquele que a buscar, com a intensidade de uma corça, bramando pelas águas, será saciado. Eternamente: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" Rm 5:1. Através da fé, de um Reino, que não é desse mundo, somos revestidos de Justiça, que traduz Cristo em nós. Apenas Nele se cumpre a Justiça em seu sentido pleno. Sem deixar brechas, incertezas.

 "Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna" Jo 4: 14.

E ali, junto ao poço de Sicar, ao meio dia, sob o sol "escaldante", estava a mulher samaritana. Como uma corça sedenta, buscava água do poço. Por muitos anos, seu interior estivera  em sequidão. Ela buscava por justiça, porém não encontrava, era infeliz. Tivera cinco maridos, estava na sexta tentativa. Sofria preconceitos,  a julgavam impura. Até que, ela teve um encontro com a Justiça. Jesus, a aguardava sentado junto ao poço. Ele se apresentou como a fonte de água viva, que iria transformar para sempre a vida da samaritana. Aleluia!

 "Senhor, dá-me dessa água para que não mais tenha sede e venha aqui tirá-la" Jo 4:15

O "bramido da corça" foi ouvido, e ao receber Jesus em seu coração, se arrependendo do seu passado, aquela mulher, renasceu. Tornou-se bem aventurada. O cântaro, que ela transportava para colocar água do poço, foi abandonado. Em uma tradução legitima de que havia bebido da água espiritual, satisfazendo sua sede.  Todos os homens carregam "cântaros". Buscam "poços" para enchê-los. Alguns os enchem com vícios, drogas, prostituição, roubo, mentira, vaidades... Coisas impossíveis de saciar a sede. Pelo contrário, criam uma abertura no solo, a caminho do poço, pelas idas e vindas, até que enfim, o solo se abre e os consome.

Que o nosso bramido, a nossa intensa busca seja pelo alimento que não perece. Pela água que não cessa. Para que o "cântaro" frágil e raso, seja abandonado em troca de algo muito maior. Que esse seja o nosso suspiro, envolto em aroma suave de águas puras a banhar nosso ser, fazendo brotar novidade de vida. Jesus está sempre pronto para atender "o bramido das corças".

Autor: Wilma Rejane