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Estudo A Circuncisão e a Nova Aliança

 

A circuncisão fez parte da aliança abrâmica, expressa na seguinte ordenança:
 
“Este é o meu concerto, que guardareis entre mim e vós e a tua semente depois de ti: Que todo macho será circuncidado. E circundareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal do concerto entre mim e vós. O filho de oito dias, pois, será circuncidado...” (Gn 17.10-12).

 

A circuncisão era um sinal que indicava a aceitação aos termos do concerto e a submissão a Deus. Era, em última análise, um ato de fé, pela qual recebiam a justiça divina (Gn 15.6,17.14).

No tempo presente, estamos sob os auspícios de uma nova aliança:
"Vêm dias, diz o Senhor, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá... porei a minha lei no seu interior, e as escreverei no seu coração. Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Jr 31.31,32).

 

A nova aliança foi selada com o sangue de Jesus, com seu sacrifício voluntário, com sua morte expiatória:

"Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, que é derramado por muitos, para remissão de pecados" (Mt 26.28).

 

A nova aliança é superior à antiga:
"Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de UM MELHOR CONCERTO, que está confirmado em melhores promessas; porque, se aquele primeiro fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para o segundo; estabelecerei um novo concerto com a casa de Israel e com a casa de Judá, não segundo o concerto que fiz com seus pais...; dizendo novo concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho e se envelhece perto está de acabar” (Hb 8.6,7,8,9,13).

A novidade do novo concerto é a graça que é concedida à pessoa que se arrepende do pecado e crê em Cristo como Senhor e Salvador (At 2.38; Ef 2.8), tenha cumprido a circuncisão ou não. Foi esta a conclusão a que chegaram Paulo, Barnabé, Pedro, Tiago e outros discípulos reunidos em assembléia, em Jerusalém, para decidirem se os gentios convertidos deveriam ser circuncidados, como imaginavam os judeus. Segundo estes, o cumprimento do rito mosaico era indispensável à salvação.

A carta com a decisão tomada por apóstolos e anciãos foi enviada
“aos irmãos dentre os gentios [incircuncisos] que estão em Antioquia, Síria e Cilícia”, nos seguintes termos: “Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras e transtornaram a vossa alma, pareceu-nos por bem, reunidos concordemente, eleger alguns varões e enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo...Na verdade PARECEU BEM AO ESPÍRITO SANTO e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação...” (At 15.1-31).

Nota-se que o Espírito Santo dirigiu os trabalhos dessa conferência, guiando os apóstolos a tomarem decisão de acordo com a vontade de Deus.

Então, por que Paulo permitiu que Timóteo fosse circuncidado embora sabendo que a circuncisão não era necessária à salvação (At 16.1-3)? Pode ter sido para facilitar a evangelização entre os judeus:

 

“Procedi, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora não esteja eu debaixo da lei” (1 Co 9.20).

Quaisquer que sejam os motivos, o ato isolado de Paulo não anula a decisão tomada em assembléia, sob a direção do Espírito Santo.

Jesus, sendo judeu, cumpriu a circuncisão. Como justificar? Jesus nasceu sob a égide da antiga aliança e das cerimônias judaicas. Exemplo: foi batizado no batismo de arrependimento de João Batista; foi apresentado ao Senhor, com a oferta de “um par de rolas ou dois pombinhos”, conforme Levíticos 12.8, e celebrava a páscoa dos judeus (Mt 26.17-20). Mas, depois do estabelecimento da Nova Aliança no Seu sangue, que nos trouxe as Boas Novas da salvação pela graça e pela fé, não estamos obrigados ao cumprimento de tais ordenanças. No novo pacto em Cristo, recebemos uma circuncisão espiritual que remove o velho homem e nos afasta do pecado. A circuncisão – retirada de parte do prepúcio - simbolizava o relacionamento dos israelitas com Deus e o afastamento do pecado. Em Jesus, somos novas criaturas; “as coisas velhas já passaram, tudo se fez novo” (1 Co 5.17).

A luta de Paulo no combate à circuncisão como indispensável à salvação continuou por muito tempo. Falsos mestres tentavam impor o fardo da circuncisão que em Cristo é completamente dispensável. Vejamos:

Depois de ensinar a inutilidade da circuncisão e realçar o valor do cumprimento da lei, Paulo diz que a verdadeira circuncisão é a do coração, no espírito, não na letra...” (Rm 2.25-29). Mais adiante declara que
 
“o pecado não terá domínio sobre vós, porque não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6.14).
 
Ora, se desejarmos obter salvação pelo cumprimento da lei, estaremos perdidos.
 
“Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais outro, daquele que ressurgiu dentre os mortos, a fim de darmos fruto para Deus” (Rm 7.14).

 

Na primeira carta aos coríntios Paulo aperta o cerco contra os adeptos da circuncisão como forma de alcançar graça. Vejam:

“Foi alguém chamado, estando circuncidado? Fique circuncidado. Foi alguém chamado estando incircuncidado? NÃO SE CIRCUNDE”. Declara, ainda, que circuncisão e incircuncisão para nada servem no novo pacto, mas muito vale a “observância dos mandamentos de Deus”. De forma clara e inequívoca ensina que “cada um permaneça na situação em que estava quando foi chamado” (1 Co 7.18-22).

Paulo adverte duramente os irmãos em Gálatas, dizendo que não estamos mais sob o jugo da escravidão, pois Cristo nos libertou; aquele que se deixa circuncidar está fora da graça de Cristo; que circuncisão nada vale, mas o que importa é a fé operada no amor; diz que
 
“toda a lei se cumpre numa só palavra: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5.1-15).

 

Mais adiante declara sem rodeios:
“Em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum, mas sim ser uma nova criatura” (Gl 6.15).

Os colossenses são advertidos de que
“foram circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo” (Cl 2.11).

Os filipenses também receberam a devida orientação (Fp 3.2,3).

As Boas Novas invalidam a totalidade das Escrituras do Antigo Testamento?
“Estabelecido o novo concerto em Cristo, o antigo concerto se tornou obsoleto (Hb 8.13).

Não obstante, o novo concerto não invalida a totalidade das Escrituras do AT, mas apenas as do pacto mosaico, pelo qual a salvação era obtida mediante a obediência à Lei e ao seu sistema de sacrifícios. O AT não está abolido; boa parte da sua revelação aponta para Cristo, e por ser a inspirada Palavra de Deus, é útil para ensinar, repreender, corrigir e instruir na retidão” (Bíblia de Estudo Pentecostal).

Concluindo, os cristãos não estão sujeitos ao ritual da circuncisão, salvo se por necessidade terapêutica.

 

|  Autor: Pr Airton Evangelista da Costa  |  Divulgação: estudosgospel.com.br |