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Esboço O Princípio da Corda


PARTE 1

       A Bíblia é um livro completo. E seus detalhes vão se tornando importantes de acordo com o crescimento espiritual de cada cristão. Mais ou menos como ocorre com o crescimento de um ser humano. Coisas que são importantíssimas para os adultos não o são para as crianças, e vice-versa.
   Nesta linha de pensamento, penso ser importante falar sobre o que chamo de PRINCÍPIO DA CORDA. Você não deve ter ouvido (ainda), porque acabei de inventar.A Bíblia diz que o Senhor nosso Deus nos atraiu, nos puxou, nos chamou com cordas humanas. Com laços de amor (Oséias 11:4). Deus nos prende com cordas e laços de amor, sobre os quais que gostaria de discorrer nesta oportunidade.
       Imagine a igreja como se fosse uma corda bem comprida segurada por cada membro da igreja. É importante que todos saibam e tenham consciência de que todos nós somos responsáveis pela corda. Primeiro, como um conjunto, e depois, individualmente. Vamos analisar primeiro o conjunto.
       Para que todos andem, é preciso que andem numa só direção. O conjunto (o grupo todo) não vai para lugar nenhum se não houver um acordo sobre o destino para onde todos devam ir. Não é com dificuldades que se conclui que se uma parte dos membros da igreja quiser ir para uma direção, e outra parte quiser ir para outra direção, a corda (o amor), mais cedo ou mais tarde, passará a servir como "cabo-de-guerra". Aquelas competições onde dois grupos são formados e cada um puxa para lados opostos. Se brincar, a corda vira um "s", com vários grupos puxando lados distintos...
       Algumas vezes encontramos situações onde alguns membros "empacam". Eles seguram a corda e não movem os pés. Não andam, e nem deixam os outros andarem.
       Outras vezes, os irmãos não se entendem, e ficam dando voltas e mais voltas. Em algumas situações vão para um lado. Pouco tempo depois, a corda é puxada de volta.... e vão pra direita, pra esquerda, pra cima, pra baixo, sem nunca chegar a lugar algum!
       Se já fazem alguns anos que o(a) amado(a) leitor(a) está na igreja, com certeza já deve ter visto uma dessas situações...
       Aqui entra a importância do dirigente da igreja. Ele tem que ter a humildade, a sabedoria, a direção, a unção e a autoridade e a firmeza do Espírito de Deus para resolver esses problemas de acordo com a Bíblia, e, principalmente, com amor.
       Caso não tenha a sabedoria, a visão, a unção, a firmeza e a direção do Espírito de Deus, no mais das vezes, os membros da igreja (aqueles que estão segurando a corda) que não estão firmados sobre a Rocha (Jesus), que não são dominados e nem foram transformados pelo Espírito de Deus, que não tem uma comunhão firme, contínua e fervorosa com Deus, ficam entristecidos, desanimados, magoados... e largam a corda. Abandonam a igreja. Vão para suas casas, deixam de orar, de ler a Bíblia e de ter a necessária comunhão com a Igreja de Cristo.
        Nessas situações, está ficando cada vez mais freqüente o rompimento da corda. Os irmãos não se entendem, não se humilham, e nem se submetem (recomendaria que o/a amado/a lesse a mensagem SUBMISSÃO), e cada grupo fica com um pedaço da corda... e ocorre a fundação de uma nova "igrejinha", sustentando que esta teria sido a expressa e direta vontade de Deus. Eu tenho lá minhas dúvidas...
       O mais importante é o amor. Qualquer coisa que não seja com e por amor pode ter vindo e ter sido feito em nome de Deus.

PARTE 2

 

       Na primeira parte da presente série, comentamos (muito superficialmente) sobre a visão que devemos ter da igreja como se fosse uma corda que é segura por todos os membros da igreja. E falamos sobre as dificuldades de se permanecer com corda na mão, e da responsabilidade do dirigente da igreja para resolver os... "problemas" que acontecem envolvendo os membros que estão segurando a corda.
       Gostaria, nesta oportunidade, de discorrer mais um pouco sobre o dirigente da igreja, que tem a função (óbvia) de dirigir a congregação.
      Ainda que a Bíblia diga que quem aspira o episcopado excelente obra deseja (I Tim.3:1), e experiência tem demonstrado que trabalhar com gente é uma das piores coisas que temos que fazer. Os seres humanos são maus, são péssimos, são horríveis. Amar é assumir o risco de sofrer uma decepção. O que quase sempre acontece...
       A igreja não é nossa. As almas não são nossas. A obra não é nossa. Todos nós somos mordomos encarregados de cuidar das coisas que Deus nos confiou. A responsabilidade maior é para quem o Senhor confia ALMAS.
       Nós, obreiros na Seara do Senhor não temos a incumbência de manter as pessoas na igreja. Temos a incumbência de cuidar delas, instrui-las, alimenta-las, conduzi-las ao encontro do Senhor. Temos a incumbência de preparar os futuros cidadãos dos céus. De ensinar as leis que regem o Reino de Deus, de curar suas feridas, dirimir suas dúvidas, apontar seus erros, suas falhas, e encaminha-las de acordo com princípios bíblicos.
       Alguns dirigentes não têm consciência de suas funções, e acabam por ferir, machucar e espantar as almas, ou conduzi-las para um destino errado...
       Existem sempre duas formas de se fazerem as coisas (no mínimo): a forma certa, e a forma errada. E também muitas variantes: a forma mais certa do que errada, a forma quase certa, a forma certa mas não muito recomendável...
       O fato é que quando vamos fazer, pela primeira vez, uma coisa que nunca fizemos antes, acabamos sempre fazendo errado...
       A missão dos obreiros é preparar aqueles que vão ser transformados em anjos. Não temos que ficar adulando, bajulando, mimando os cristãos para que permaneçam na igreja. Se quiserem ser salvos e transformados em anjos, precisam ser preparados. Precisam aprender que têm uma doença chamada "pecado" da qual precisam se livrar. Precisam ser libertos do orgulho, vaidade, egocentrismo, inveja, ciúme, vaidade e todas as demais coisas que os afastam da glória de Deus (Isaias 59).
       ... e precisam caminhar junto com toda a igreja, numa só fé, num só espírito (Fil.1:27), e em uma só esperança (Ef.4:4).
       A igreja primitiva era forte porque ela se comportava, agia, andava como se fossem uma só alma e um só coração, tendo tudo em comum (Atos 4:32).
       Eles seguravam a corda, e andavam todos numa só direção: a indicada pelo dirigente. E a coisa andava.
       O dirigente é o líder. Precisa ser o líder. Estudos profundos foram feitos para se compreender como se faz um líder. O líder é aquele que goza do carinho e do respeito de todos os liderados. Quando ele puxa a corda para um lado, todos os que estão segurando a corda precisam ir com ele. Suas decisões não podem ser desrespeitadas. Daí a importância de serem decisões certas, de acordo com a Bíblia, e na direção do Espírito de Deus. E precisam ser firmes. Se o líder não puxar a corda, não são os que estão segurando-a que poderão puxá-la... Entende o que quero dizer?
       Precisamos ir para onde nossos lideres estão puxando a corda. Somos nós que temos que nos adequar à igreja, e não o contrario.

PARTE 3

 

        Na primeira parte da presente série, comentamos (muito superficialmente) sobre a visão que devemos ter da igreja como se fosse uma corda que é segura por todos os membros da igreja. Na segunda parte comentamos que é necessário que andemos de acordo com as decisões dos dirigentes da Igreja. Mesmo que não concordemos com as decisões que sejam tomadas. Gostaria de recomendar a leitura da mensagem SUBMISSÃO, onde falo mais sobre o assunto.
       Nesta oportunidade, gostaria de falar sobre cada irmão, cada cristão que esta segurando a corda.
       A Bíblia diz que todos nós andávamos segundo o curso deste mundo, segundo o espírito que agora atua nos filhos da desobediência (Jo.3:36 e Ef.2). E quando nos entregamos a Cristo, começamos a andar contra a correnteza de arrasta o mundo cada vez mais para as trevas, para longe de Deus. Aliás, tem uma mensagem compilada com esse título (Contra a correnteza). Imagine um rio muito largo, e com uma correnteza muito forte, mas pouco profundo, onde nosso pé alcança o fundo do rio. A igreja é formada por muitas pessoas que estão lutando contra a correnteza do rio do mundo que arrasta as pessoas para o abismo, para as trevas, para a dor, angústia, solidão, confusão, desespero... E existe uma corda na qual todos nós estamos segurando. Essa corda é que une todas as pessoas que estão na igreja. Mesmo que alguém esteja freqüentando a igreja, nossos cultos, cantando, pregando, se não estiver segurando a corda, não participará das bodas do Cordeiro.
        Contudo, a igreja é também o local onde somos santificados, onde aprendemos as leis que regem o reino de Deus, onde nossas feridas são curadas. Onde cada um precisa se encontrar com Deus de uma forma pessoal, para que Ele encha nossa vida, e nosso coração. Nesse processo de santificação, que é totalmente subjetivo e pessoal (Deus trata cada um de um modo diferente, porque somos todos diferentes uns dos outros), acontecem muitas coisas que não entendemos. Mas que devemos aceitar e agradecer, porque se Deus permitiu, é porque Ele tem um propósito.
       Algumas vezes, nossos pés não alcançam o fundo do rio, e ficamos boiando. A única coisa que nos segura à igreja é a corda (amor). Se no momento em que nossos pés não estiverem alcançando o fundo (lutas, tribulações, perseguições, dores, problemas, frustração, desespero), não estivermos segurando a corda... somos arrastados pela correnteza... a não ser que um outro irmão esteja nos segurando, e não permita que sejamos levados pela correnteza!
       Entende o que quero dizer? A maior parte dos que estão na igreja não estão segurando a corda (amor). Estão nela (igreja) atrás do que ela pode lhes fornecer. Do que podem ganhar com Deus ou com a igreja. Então, quando vêm as lutas, e as tribulações, eles se escandalizam, na forma como Jesus previu na parábola do Semeador (a semente que caiu nas rochas ou entre os espinheiros - Marcos 4:1-20). Estão conosco, freqüentando nossos cultos, mas não são do nosso meio (I Jo.2:19).
       E existem aqueles que estão conosco e são do nosso meio, estão segurando a corda, mas, tal e qual a ovelha de Lucas 15, se perdeu. Caiu em pecado. Fez uma besteira. Perdeu o pé por um segundo e a água do mundo os levou... A estes temos que segurar, procurar, ir atrás.
       Como saber se estamos ou não segurando a corda? Somente através das lutas e das perseguições de que a Bíblia diz (atos 14:22, II Tim. 3:12). Como saber se não estamos segurando a corda? Quando culpamos (ou responsabilizamos) o pastor, os irmãos, o presbitério, a igreja pelo nosso afastamento da presença de Deus (fervor na oração).

       Você está segurando a corda? A responsabilidade é pessoal.


Autor:  Takayoshi Katagiri
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